Síndrome de Guillain-Barré

18

O vírus Zika vem provocando muita discussão no meio científico e, além da possível correlação com os casos de microcefalia, surgiu também a possível associação com os casos de síndrome de Guillain-Barré. Apesar desta patologia neurológica estar mais em evidência neste momento, ela já é uma “velha conhecida” de quem trabalha com Neurologia.

O que é?

Pensando numa definição mais técnica, a Síndrome de Guillain-Barré é uma poliradiculoneuropatia inflamatória aguda desmielinizante. Apesar de o nome técnico ser enorme e um tanto assustador para o leigo, quer dizer que se trata de uma patologia que acomete diversas raízes nervosas, possui uma característica inflamatória que, por sua vez, agride a bainha de mielina (que é um revestimento existente nos nervos periféricos) de maneira aguda. Dados epidemiológicos podem ser encontrados na literatura mundial mostrando o impacto desta patologia no mundo. Estima-se que a incidência mundial seja de 0,6 a 1 casos/100.000 habitantes1, enquanto que no Brasil, baseado em dados de 20022 e 20043, estima-se que a incidência seja de 0,6 casos/100.000 habitantes. Infelizmente, até o presente momento, cerca de 40% dos casos dessa doença permanecem com etiologia desconhecida (idiopática)4, apesar de ser de amplo conhecimento a presença de um processo inflamatório imunomediado que provoca desmielinização no sistema nervoso periférico. Diferentes variações clínicas podem ser relacionadas a infecções virais (ex: vírus Zika, citomegalovírus, Epstein Barr, hepatites por vírus tipo A, B e C, influenza e HIV)4,5,6 ou bacterianas (ex: Campylobacter jejuni), vacinações ou cirurgias

Sintomas:

Tipicamente nos quadros de Síndrome de Guillain-Barré, os pacientes percebem uma parestesia (sensações inespecíficas na pele, tipo dormência, formigamento, entre outros) inicialmente nas regiões distais tanto de membros inferiores quanto superiores (mãos e pés). Pode também apresentar dor de origem neuropática (lombar ou nas pernas). A fraqueza muscular progressiva é o sinal que talvez mais chame a atenção do paciente e, geralmente, inicia em membros inferiores, depois braços, tronco, cabeça e pescoço, podendo apresentar grande variedade com relação a diminuição da força muscular. Esse acometimento da força pode variar desde uma pequena perda de força até uma paralisia completa que envolva os quatro membros (tetraplegia), sendo até mesmo necessário que o paciente seja colocado em ventilação mecânica em função de comprometimento da musculatura respiratória.

Não é raro o paciente apresentar sintomas infecciosos precedendo o quadro neurológico…precedendo a fraqueza muscular. Como é uma patologia que acomete o sistema nervoso periférico, também é observada uma diminuição ou abolição dos reflexos tendinosos e alterações sensitivas. A doença atinge o ápice de sua deficiência motora (chamado de NADIR) entre 2-4 semanas (até 75% atingem o nadir na 2ª semana, 80-92% até a 3ª semana e 90-94% até a 4ª semana)5,7. Passada a fase progressiva, a doença entra então num período de estabilização (platô) que dura vários dias ou semanas e inicia entra um processo de recuperação gradual das funções neurológicas acometidas. Cerca de 15% dos indivíduos acometidos ficarão sem qualquer deficiência residual após 2 anos do início da doença, enquanto que de 5% a 10% apresentarão incapacidade sensitivas e/ou motoras  após o mesmo intervalo de tempo5,8. A taxa de mortalidade dos pacientes com síndrome de Guillain-Barré gira entre 5-7% e frequentemente é resultado de complicações respiratórias

Tratamento

Além do tratamento clínico adequado, que será devidamente orientado pelo seu médico, o paciente com síndrome de Guillain-Barré precisará contar com o suporte importantíssimo da Fisioterapia. O tratamento fisioterapêutico ocorrerá em dois momentos específicos: inicialmente, durante a fase hospitalar dos pacientes que necessitarem de internação; e num segundo momento, pós hospitalar, onde a recuperação funcional seguirá. Durante a fase hospitalar, serão fundamentais os cuidados cardiorrespiratórios, principalmente naqueles pacientes que por ventura necessitarem de ventilação mecânica. Nestes pacientes, o papel do fisioterapeuta é fundamental na evolução até o desmame do ventilador (voltar a respirar espontaneamente). Ainda na fase hospitalar o treinamento funcional já é iniciado, procurando aumento da força muscular e o restabelecimento do controle de tronco na posição sentada e de pé. Os trabalhos de marcha já deveriam ser iniciados ainda nos hospital. Durante a fase pós-hospitalar, geralmente a fisioterapia dá prosseguimento com os atendimentos domiciliares, onde o objetivo é treino e recuperação das atividades de vida diária, com treino de atividades do dia-a-dia como andar, sentar, rolar na cama, aumentar força de tronco, braços e pernas, lidar com utensílios do dia-a-dia e também a possibilidade da indicação de órteses (dispositivos com o intuito de melhora da função de um membro ou órgão). Na medida em que o paciente já seja capaz de sair de casa e já apresente a necessidade de expansão de seu potencial, o trabalho pode e deve ser complementado na clínica, onde o fisioterapeuta conta com mais recursos para exercícios e treinos funcionais. Este trabalho de retorno às suas atividades do dia-a-dia é longo e a fisioterapia neurofuncional será de grande importância em todos os momentos da recuperação deste paciente até que ele tenha alta e possa retomar normalmente à sua rotina de vida e de atividades físicas, agora já sem a necessidade de supervisão de um fisioterapeuta.

 

Referências:

  1. Rev Paul Pediatr 2011;29(4):685-8.
  2. Dias-Tosta E, Kückelhaus CS. Guillain Barré syndrome in a population less than 15 years old in Brazil. Arq Neuropsiquiatr 2002;60:367-73.
  3. Rocha MS, Brucki SM, Carvalho AA, Lima UW. Epidemiologic features of Guillain-Barré syndrome in São Paulo. Arq Neuropsiquiatr 2004;62:33-7.
  4. Neil J, Choumet V, Le Coupanec, d’Alayer J, Demeret S, Musset L. Guillain-Barré syndrome: first description of a snale envenomation aetiology. Journal of Neuroimmunology. 242(1-2): 72-77; 2012.
  5. Hahn AF. Guillain-Barré syndrome. Lancet. 1998;352(9128):635-41.
  6. Kieseier BC, Hartung HP. Therapeutic strategies in the Guillain-Barré syndrome. Semin Neurol. 2003;23(2):159-68.
  7. van Doorn PA, Ruts L, Jacobs BC. Clinical features, pathogenesis, and treatment of Guillain-Barré syndrome. Lancet 2008;7(10):939-50.
  8. Hughes RA, Wijdicks EF, Benson E, Comblath DR, Hahn AF, Meythaler JM, et al. Supportive care for patients with Guillain-Barré syndrome. Arch Neurol. 2005;62(8):1194-8.
Advertisements

24 de Março – Dia mundial de combate a tuberculose

0fc49467-a851-4559-855b-3e9c86981162

No dia 24 de Março é realizada uma campanha mundial de combate a tuberculose a data foi criada em 1982 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, pelo médico Robert Koch.

A tuberculose é uma doença infecciosa crônica, que atinge principalmente os pulmões. Ela é transmitida de pessoa a pessoa quando o doente com tuberculose espirra tosse ou fala. Os sintomas mais comuns são tosse persistente, febre, hemoptise, dor no peito, falta de apetite.

O tratamento se estende por seis meses e pode curar praticamente todos os casos. É realizado através de uso de medicamentos doados pelas unidades básicas de saúde que também conta com equipe multidisciplinar em saúde para orientar a população quanto à importância da adesão ao, bem como esclarecer sobre medidas preventivas: vacinação (BCG), habitação limpa ventilada, com incidência de sol, boa nutrição, entre outros.

O fisioterapeuta irá atuar juntamente com a equipe multiprofissional no tratamento dos quadros de tuberculose a fim de evitar a progressão e possíveis complicações da doença que poderão causar sequelas. O tratamento através da reabilitação pulmonar consiste principalmente em relaxamento e reeducação da musculatura respiratória, exercícios de condicionamento e treinamento cardiorrespiratório, indicados para melhorar a função pulmonar, a tolerância ao exercício e a melhora na qualidade de vida dos pacientes.

Já escolheu o seu travesseiro?

post travesseiros

Uma boa noite de sono pode ser definida não só pela cama mas também pelo travesseiro. Quando o travesseiro não é adequado para o seu corpo e seus hábitos noturnos, alguns sintomas como dores no corpo e aquela sensação de ter dormido mal podem surgir ao longo do tempo. Então nós reunimos alguns tipos de travesseiros para ajudar na sua escolha.

Travesseiro de espuma

É bem macio e precisa ser denso para manter a cabeça na altura correta, pode perder volume ao longo do tempo e não deve ser lavado.

Travesseiro de penas

É preciso afofar o travesseiro de penas todos os dias, por ser muito leve e macio as penas tendem a acumular em um dos lados, causando afundamento podendo gerar desconforto.

Travesseiro de pluma de ganso

A pluma de ganso deixa o travesseiro macio sem causar deformação. Porém quem sofre de alergias respiratórias deve ter cuidado.

Travesseiro de algodão

É o travesseiro mais indicado pois não esquenta e não solta fiapos, sem causar perigo em alérgicos.

Dicas contra Alergias e Problemas Respiratórios

blog

O friozinho já chegou e o inverno está perto de começar e junto com as temperaturas mais frias chegam alguns problemas de saúde, normalmente relacionados à alergias e doenças respiratórias, como resfriado, gripe, bronquite, pneumonia, asma e rinite.
Confira mais dicas para fugir dos problemas de saúde que aparecem nessa época do ano:
• Fique atenta às variações de temperatura. Em casa, no trabalho e em outros locais fechados, é comum sentir calor. Porém, ao sair destes ambientes, a brusca queda de temperatura pode facilitar a ocorrência de doenças. Agasalhe-se antes de sair;
• Mantenha a higiene doméstica, evitando o acúmulo de poeira, que desencadeia diversos problemas alérgicos;
• Use soro fisiológico para olhos e narinas, em caso de irritação;
• Evite exposição prolongada a ambientes com ar condicionado quente ou frio;
• Durma em local arejado e umedecido. Podem ser utilizados umidificador de ar, toalhas molhadas ou reservatórios com água nos quartos;
• As pessoas com alergia devem ficar atentas e evitar o uso de cobertores que soltam pêlos. Substituí-los por mantas de tecido sintético ou algodão pode auxiliar na prevenção de rinites e outros quadros alérgicos;

Postura em “W”

sentada em w

Sentar em “W” refere-se à postura assumida pelas crianças quando se sentam no chão com as pernas posicionadas no formato de um “W”, sendo esta uma das várias posições que a criança pode assumir enquanto brinca. Em relação a isso, a alternância entre as posições que a criança senta é muito benéfica e estimula a descoberta dos limites do corpo. No entanto, se assumido com frequência, este hábito postural pode gerar alterações ortopédicas, no desenvolvimento ósseo e no desenvolvimento motor.
A maioria das crianças fica na posição em “W” por curtos períodos de tempo, alternando naturalmente para outras posições. A forma mais fácil de prevenir complicações é evitar desde o início que se torne um hábito. Elas devem ser estimuladas a mudar a posição e chamadas à atenção para corrigir a postura sempre que a posição em “W” for a preferida. Se você perceber frequência na postura em “W”, basta ajudá-la a modificar a posição com suas próprias mãos, guiando-a, por exemplo, para outra postura e conversando com ela, explicando que ela precisa endireitar as perninhas para não se machucar.
Se você quer saber mais sobre como garantir o desenvolvimento saudável do seu filho, fale com a nossa equipe.

CADEIRA DE RODAS ELETRICAS DE PVC

cadeira de rodas em pvc

Atitudes como essa merecem ser aplaudidas! Inspirados pela doença rara de dois irmãos, um grupo de cinco estudantes universitarios da Brigham Young University (BYU), em Utah, nos EUA, desenvolveram uma das menores e mais econômicas cadeiras de rodas elétrica do mundo. Feita com canos de PVC e pesando em torno de 10 quilos, a cadeira que custou apenas US$ 495, tem a capacidade de levar crianças de até 25kg. (Vale lembrar que as cadeiras convencionais podem custar até US$ 15 mil!) Para quem se interessou, a cadeira terá parte do seu projeto publicado no site “The Open Wheelchair Project” (Projeto da cadeira de rodas livre, em tradução livre), que disponibilizará uma lista de materiais necessários para que outras famílias possam construir o objeto por conta própria. Por mais projetos como esse!

Pé Chato

correto

O pé chato ou pé plano é muito comum em bebês recém nascidos podendo permanecer até os 4 anos. A curvatura é formada pela musculatura que se desenvolve aos poucos, sem este arco a criança caminha apoiando toda a planta dos pés quando deveriam apoiar somente a ponta, a borda externa e o calcanhar.

O diagnóstico, identificado por um ortopedista pediátrico, é feito geralmente aos 5 anos quando a criança muitas vezes reclama de dor ou tem dificuldades de andar. O tratamento é simples, é indicado caminhar na areia fofa da praia ou grama para que a musculatura seja fortalecida, alguns ortopedistas indicam natação e o uso de palmilhas. A indicação cirúrgica é feita somente em casos extremos.

Pilates com Bola

pilates com bola

Os benefícios do Pilates, associados aos exercícios com a bola, tornam a aula ainda mais divertida. Essa prática tonifica, define e melhora a flexibilidade, harmonizando as formas do corpo.

No Pilates com a bola, trabalha-se com as camadas mais profundas da musculatura de maneira muito eficaz. A bola permite a execução ideal dos exercícios, pois é muito comum que os músculos mais fortes “roubem” o direcionamento da força.

Os exercícios são apresentados de forma bem simples, evitando as séries com infinitas repetições.

Alongamento antes ou depois?

Sportswoman stretching

Alongar é uma necessidade. O alongamento melhora a flexibilidade, que é uma das qualidades físicas fundamentais. Todo programa de exercícios, independentemente de seus objetivos ou da modalidade praticada, deve incluir exercícios de alongamento.

O alongamento deve ser feito como prática regular, podendo até ser feito antes de outras atividades. O importante é perceber que seu efeito aparecerá a médio e longo prazo, assim como os benefícios de exercícios de força e de resistência. O que é uma prática comum e não recomendada é o alongamento imediatamente após o exercício, principalmente exercícios mais intensos e ou prolongados. A contra indicação se justifica pela existência de micro-traumas nos músculos exercitados. Alongar neste momento não traz nenhum benefício, podendo até mesmo provocar maior dano muscular.

SALTO ALTO x CORPO

Salto alto

Até para os leigos fica fácil identificar que o uso de sapato com salto alto não deve ser favorável para o bem estar do corpo, já que o peso desse corpo não fica distribuído de forma equilibrada, colocando pressão adicional sobre as pontas dos pés.

Mas os saltos altos fazem parte do guarda-roupa feminino ……

ALGUMAS INFORMAÇÕES PODEM AMENIZAR OS PROBLEMAS DO USO DIÁRIO DO SALTO ALTO

FICA A DICA….

Saltos menores de 3 cm, por exemplo, a distribuição do peso é feita pelo pé: 50% do peso no calcanhar e 50% nos dedos dos pés. Já em saltos maiores, de 6 cm, esse peso fica 90% na frente do pé e apenas 10% no calcanhar. Isso pode levar a calosidades, joanetes, entorses e outros tantos problemas de coluna e joelhos.

O salto alto faz com que haja uma pressão maior sobre os JOELHOS, agravando a inflamação e o desgaste das estruturas de suas articulações. Ele obriga também que a sua postura se incline para frente, projetando o peso do corpo para a ponta dos pés. Isso faz com que a COLUNA se dobre mais para manter o equilíbrio. É por isso que os saltos altos são tidos como um dos grandes causadores das dores lombares! Já com as PANTURRILHAS ele exige que elas estejam quase sempre contraídas. Isso pode provocar um encurtamento dos músculos.

ACONSELHAMOS …..

Se precisa mesmo usar salto alto, alterne entre um salto alto e um salto médio, massageie os pés no final do dia para ajudar a restabelecer a circulação e alongue as panturrilhas, e por fim prefira saltos quadrados, pois oferecem maior estabilidade.